Aero Latam

Patrulhando e protegendo os mares

As aeronaves de transporte médio tornaram-se excelentes plataformas de patrulha e monitoramento marítimo em todo o mundo. Aqui, um panorama da realidade latino-americana nos permite conhecer seu presente e perspectivas.

 

Por Santiago Rivas

 

A grande maioria dos países da América Latina possui extensas áreas costeiras e um importante espaço marítimo. Em todas elas, a necessidade de proteger seus recursos, as atividades que o homem realiza no mar e combater o crime exige um grande esforço para manter esse controle efetivo. Pode-se dizer, de maneira ampla que, além da proteção à navegação, por meio de sistemas de busca e salvamento realizados igualmente por todos os países, há uma diferença na preocupação dos países que estão mais ao sul se comparado aos que estão ao norte.

Enquanto nas costas da Argentina, Chile, Uruguai e Brasil o foco está na proteção dos recursos naturais, nos demais países a atenção está na prevenção e no combate a atividades ilegais, principalmente o tráfico de drogas.

Nesse cenário, a patrulha marítima é essencial, mas os recursos financeiros quase nunca são suficientes para cobrir espaços que, em alguns casos, são realmente imensos. Enquanto nos países da América Central não existem forças navais e aeronaves específicas para patrulha marítima, o México e a América do Sul têm uma frota variada neste sentido e que pode ser dividida entre aeronaves de patrulha costeira de média e grande capacidade.

No primeiro caso, há exemplos como o Cessna O-2 da Marinha do Uruguai, o Tecnam P2006T na Força Aérea Dominicana ou o Vulcanair P68 da Marinha do Chile, de menor porte e que permitem a vigilância das costas e do mar adjacente, mas sem poder voar para o mar e sem sensores que permitem expandir a capacidade de busca além do alcance visual.

No caso de aeronaves maiores, há o P-3 Orion em serviço na Argentina, Brasil e Chile, o Airbus CN235 e C295 Persuader no Chile, Colômbia, Equador, Brasil e México e o Fokker 60 MPA no Peru. Embora sejam aeronaves com grandes capacidades, em todos os casos existem poucas unidades, o que não permite atender a todas as. Assim, a maioria das forças possui aeronaves de tamanho médio, com menores custos de compra e operação, que exigem menos tripulantes, mas ao mesmo tempo permitem, em certa medida, proteger os mares e as atividades realizadas ali. No entanto, em muitos casos, são aeronaves desatualizadas que requerem substituição.

 

 

Modelos em operação

No segmento de aeronaves de patrulha marítima de médio porte, três modelos se destacaram na região nos últimos 40 anos: o Embraer EMB-111 Bandeirulha, o Airbus CASA C-212 e o Beechcraft Super King Air.

O EMB-111 é utilizado pela Força Aérea Brasileira há quatro décadas, atualmente com oito exemplares em operação, enquanto ainda é utilizado pela Marinha do Chile. Embora ambas as forças tenham modernizado seus exemplares, o tipo está perto do fim de sua vida útil e será necessário um substituto em alguns anos. Por sua vez, a quantidade em serviço no Chile (três unidades) é insuficiente para cobrir um dos maiores mares territoriais do mundo, incluindo a projeção antártica.

O CASA C-212, embora tenha tido uma operação extremamente bem-sucedida na região, hoje quase todos os exemplares de patrulha em serviço estão chegando ao fim de sua vida útil. Na Argentina, a Prefeitura Naval possui três unidades dedicadas a essa missão, mas uma delas já foi aposentada e espera-se que uma substituição das demais no curto ou médio prazo. Embora tenha recebido um Beechcraft 350ER MPA Super King Air equipado para esta missão, nenhum novo pedido foi feito.

 

 

A Força Aérea do Uruguai possui dois CASA C-212M-200 e dois C-212M-300 equipados para patrulha marítima, enquanto a Marinha recebeu o primeiro B-200 Super King Air modificado para a referida missão, que se distingue por ter a capacidade de lançar armas.

A Aviação Naval da Venezuela também possui, como sua única aeronave de patrulha marítima, três CASA C-212S-43, embora uma delas esteja armazenada, o que configura uma capacidade bastante insuficiente para controlar todo o espaço marítimo do país. Caribe.

No México, a Força Aérea é o único operador da versão de patrulha marítima do Embraer EMB-145, o 145MP, enquanto a Marinha recebeu seis Beech 350i Super King Air para patrulha marítima e inteligência, substituindo o CASA 212-100.

O Super King Air também é utilizado pela Marinha Argentina em sua versão B200, com quatro unidades modificadas para patrulha marítima, bem como pela Aviação Naval Equatoriana, que possui dois B200 com esse objetivo, enquanto o Serviço Aeronaval Nacional do Panamá o B350.

 

 

Futuro

Atualmente, as frotas de Embraer EMB-111, CASA 212 e Beech B200 estão chegando ao fim de suas vidas úteis, enquanto há um aumento nas atividades criminosas nos mares e que implica em uma maior demanda por equipamentos para poder exercer controle efetivo. No momento, o Beech 350 Super King Air tem sido o modelo mais procurado como substituto, mas em quantidades muito pequenas e insuficientes.

Hoje, a oferta do produto não é muito grande, embora interessante. Além deste, a Viking Air oferece o Guardian 400, uma versão de patrulha da DHC-6-400 Twin Otter, e a RUAG faz isso com a nova geração Dornier 228. A PT Dirgantara Indonesia (Persero), por sua vez, está oferecendo o CASA 212-400, agora como NC-212i, com suporte da Airbus.

Entre os quatro modelos, existem várias difesrenças de desempenho e recursos que valem a pena analisar.

Um deles é a velocidade. O 350ER Super King Air é o mais rápido dos quatro, com 312 nós em cruzeiro, contra 223 no Dornier 228, 195 no NC212i e 182 no Guardian, embora o modelo Beechcraft não possa voar confortavelmente em velocidades tão baixas quanto os outros três, que conseguem manter operação segura até 90 nós, o que é uma vantagem para as operações de patrulha, busca e salvamento.

A faixa de velocidade do Dornier 228, graças ao design especial das suas asas, são uma vantagem em comparação com outras aeronaves, pois pode voar da base para a área de operações em alta velocidade, mas permanecer em patrulha a velocidade muito baixa.

Na altitude de cruzeiro, voando a 220 nós, o consumo de combustível é praticamente igual ao do Super King Air, a cerca de 220 litros por hora. Por sua vez, o NC212i usa cerca de 320 litros por hora em seu nível mais baixo de consumo.

Outra vantagem do Guardian e Dornier 228 é que eles têm baixo consumo de combustível em baixa altitude, o que é geralmente a faixa de voo que eles operam. Embora a cabine pressurizada do Super King Air ofereça um voo mais confortável acima de 12.000 pés, raramente é necessária para a vigilância marítima e gera um custo de manutenção mais alto.

 

 

Acrescenta-se que os outros três modelos possuem cabines mais espaçosas, o que os torna mais confortáveis ​​para trabalhar em voos muito longos, permitindo também que sejam facilmente preparados para o transporte de carga ou passageiros, dando maior flexibilidade às aeronaves. Além disso, o posicionamento das asas sobre a fuselagem oferece uma visibilidade muito melhor para a vigilância.

Para o Dornier 228 e o NC212i, além da posição das asas, não há suporte sob elas, oferecendo uma visão desobstruída de 180° através das janelas de bolhas em cada lado da fuselagem.

Os quatro modelos costumam ter autonomia de cerca de 8 horas (o NC212i precisa de tanques auxiliares, caso contrário sua autonomia é de 6 horas), embora o Guardian e o Super King Air possam chegar a 12 horas com tanques auxiliares.

Quanto ao equipamento, os quatro podem transportar sensores, como todos os tipos de câmeras, designadores ou telémetros a laser. O Guardian 400 ainda não possui integrado um radar de busca (é oferecida a possibilidade de fazê-lo com o Leonardo Osprey 30). O Dornier 228 também pode transportar radares de varredura lateral (SLARs).

Por sua vez, como o NC212i possui radar no nariz, sua cobertura é de apenas 270º e não 360º, como no Super King Air e no Dornier 228.

Atualmente, enquanto o Guardian 400 ainda não foi vendido, os outros modelos estão sendo usados ​​por vários operadores no mundo (no caso do NC212i, existem poucas unidades da nova versão entregue, mas muitas delas foram produzidas na Espanha anteriormente). Embora o Dornier 228 para patrulha marítima não esteja presente na América Latina, ele já é operado na Europa e na Ásia.