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Na rota da expansão. O crescimento da aviação regional no sul do Brasil

A Câmara de Comércio da Cidade do Rio Grande, no Brasil, está trabalhando ativamente para fomentar a retomada da aviação regional a partir daquela cidade. Acompanhe uma entrevista com Antônio Carlos Bacchieri Duarte, presidente da Câmara de Comércio da Cidade do Rio Grande.

Por João Paulo Moralez

Quais foram as ações e incentivos da Câmara de Comércio do Rio Grande no tocante a incentivar a vinda da Two-Flex é voos regulares para a cidade?


A Câmara de Comércio sempre esteve muito próxima e defendeu esse assunto de forma ferrenha nos últimos anos desde a saída da empresa NHT da cidade. Nos posicionamos e cobramos da classe política uma solução para aviação entendendo que não existe porto sem aeroporto. Portanto ficamos muito contentes, enquanto entidade de classe empresarial, com a chegada da TWO-Flex que possibilitará essa retomada e haja vista a parceria com a Gol, poderemos a partir de Rio Grande alcançar diversos destinos com o mesmo bilhete. Essa ação foi possibilitada graças as mudanças nas legislações para aviação regional do Governo Federal nos últimos anos e também a decisões do Governo do Rio Grande do Sul.


Quais são os desafios que a região hoje enfrenta, em termos de infraestrutura? É possível haver algum tipo de ação para permitir que mais empresas possam voar para a região?


A região de Rio Grande carece a muito tempo de infraestrutura aeroportuária. Pelo que sabemos o nosso aeroporto é para pequenas aeronaves, então não sonhamos com grandes aviões pousando por aqui. Mas há espaço para mais. A Two-Flex está iniciando a operação com uma aeronave de nove lugares e já se posicionou que havendo demanda pode rapidamente ampliar o número de voos. Rio Grande possui o segundo mais importante porto do país. Não há como buscar novas cargas, apresentar áreas disponíveis para grandes players sem a possibilidade de o empresário pousar em Rio Grande. Embora haja um aeroporto em Pelotas, a maior parte dos voos é feita por Porto Alegre, há cerca de quatro horas de distância terrestre.


Qual é o perfil do passageiro e qual é o perfil da aeronave para atender a esses voos, em termos de capacidade?


Acreditamos muito que o perfil que usará esse voo é o empresarial. Rio Grande possui muitas empresas, órgãos públicos que necessitam de um transporte mais rápido. Como já disse acima, a TWO-Flex anunciou uma aeronave de 9 lugares.


O senhor visualiza a possibilidade de incentivos para que exista a modernização de frota por parte das empresas, operando com aviões maiores e mais modernos, mas ainda guardando a característica da aviação regional?


Acredito que sim. O Estado do Rio Grande do Sul já sinalizou essa intenção de incentivar ainda mais esse segmento. Inclusive, a ampliação da aviação regional só foi possível graças a dois decretos do Governo gaúcho, sendo um deles com a redução de base de cálculo na aquisição de querosene de aviação no Rio Grande do Sul. Esse fator foi decisivo. E há espaço para mais ainda.


Quais serão os benefícios, na sua visão, para a cidade e a região com essa parceria?

Muitos os benefícios. Rio Grande possui um distrito industrial de mais de 2,5 mil hectares de áreas disponíveis. É o segundo mais importante porto do país. Sozinho movimentou quase 43 milhões de toneladas de cargas em 2018. Estamos falando aí de um grande potencial de novos negócios. Sem o aeroporto, o empresário que quisesse sair de São Paulo para conhecer Rio Grande precisaria percorrer mais de 300 km de uma estrada não duplicada. Só nesse processo, são quatro horas perdidas. Isso só para chegar. Para sair de Rio Grande seriam mais 300 km. Isso inviabiliza a concretização de novos negócios. Além disso, no turismo Rio Grande possui muitas potencialidades que passam a ser desenvolvidas com muito mais ênfase. A distância do aeroporto era um dos mais critérios que mais prejudicava a cidade. Acho que teremos uma evolução muito grande com a chegada dessa parceria TWO-Flex e Gol.