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A guerra que ninguém esperava. Como estão as batalhas contra a pandemia?

Por Florencia Lucero Heguy

Desde o início da pandemia, vários países latino-americanos vêm realizando voos de repatriação, transporte de pacientes, materiais entre outros, com o objetivo de atender às necessidades da população.

 

Neste momento único da história do mundo, com a pandemia pela qual estamos passando, existem pessoas de diferentes nacionalidades que estavam ou ainda estão fora do seu país de origem.

Cada país está repatriando os seus cidadãos de acordo com os protocolos de segurança e de acordo com cada caso. As Forças Armadas não são alheias a essas circunstâncias, pois estão trabalhando ativamente para cumprir a sua missão nesta situação específica e complicada, cheia de incertezas, medo e angústia.

A volta para casa inclui travessias frente ao fechamento de fronteiras em todo o mundo, suspensão de voos, bloqueio de rotas, a reorganização caótica das companhias aéreas, a impossibilidade de alguns navios atracarem em portos, entre outros.

 

 

Muitos países latino-americanos tiveram a capacidade de antecipar os terríveis eventos e começaram a trabalhar unindo esforços para avançar e combater de mãos dadas o Coronavírus.

México e Uruguai foram os pioneiros na América Latina em repatriar seus cidadãos da cidade de Wuhan, na China. O governo do Uruguai recorreu à França para facilitar a evacuação de seus dois cidadãos na cidade chinesa.

Durante o mês de março, o Uruguai também realizou voos para o Peru com o objetivo de ajudar os uruguaios que ficaram presos após o fechamento das fronteiras decretado como medida preventiva para evitar a propagação do Covid-19. Um voo da empresa Amaszonas, que foi em missão como avião estatal uruguaio para organizar o retorno de quase 90 compatriotas que estavam em Cuzco, e outro era um Embraer Brasília da Força Aérea do Uruguai para repatriar 34 compatriotas que estavam em Lima. Ao mesmo tempo, 65 cidadãos peruanos que estavam no Uruguai foram transferidos nesses dois voos para o país.

Desde o início da quarentena, um grande número de voos de repatriação já foi feito para lugares como Lima, Buenos Aires, Quito, San Pablo, Bogotá, Santiago do Chile e Guiana Francesa com as aeronaves Embraer 120, C-130 Hercules e CASA C-212 da Força Aérea do Uruguai.

 

 

O processo de repatriamento do México começou em 23 de janeiro com o retorno de três mexicanos que estavam em Wuhan e continua até hoje. Dois aviões da Força Aérea Mexicana trouxeram 280 mexicanos de Buenos Aires, outro voo com 130 cidadãos que estavam em Havana. Do Peru foram 400 mexicanos e outros 140 embarcaram em Londres, entre outras operações. Deve-se notar que o México, Chile, Argentina e Uruguai realizaram uma operação humanitária conjunta de repatriamento recíproco que beneficiou 386 cidadãos dos quatro países. Como resultado, foi possível repatriar 160 mexicanos afetados por restrições de mobilidade nos três países e 65 chilenos que permaneceram na Argentina, além de 123 argentinos e 38 nacionais uruguaios presos no México.

As primeiras operações realizadas na Argentina, quando a quarentena começou, foram as missões de reconhecimento nas principais cidades, para ajudar as forças de segurança a verificar como a população estava cumprindo as restrições. Dessa forma, os helicópteros Bell 412 da Força Aérea, o Bell Huey 2, o Aerospatiale Lamas e o Bell 206 do Exército começaram a realizar missões diárias em Buenos Aires, Mendoza, Córdoba, Comodoro Rivadavia, Posadas, Salta e outras cidades. Em Buenos Aires, o Batalhão de Helicópteros de Assalto 601 é a principal unidade usada para essa missão com o Huey 2. Nessa missão se juntaram os Agusta AB-206 do Esquadrão de Aviação de Exploração e Ataque 602.

Outras atividades da Aviação do Exército incluem evacuação médica, ligação e transporte com o Batalhão de Aviação de Apoio ao Combate 601, também em Campo de Mayo, equipado com a Casa 212-100, DHC-6-200/-300 Twin Otter, Cessna 500 Citation I, Cessna Citation Bravo 550 e Cessna 208B Grand Caravan EX.

Por outro lado, a Força Aérea Argentina fez uma dúzia de voos para o Peru e dois para o Equador com aviões C-130 Hercules em abril e maio para repatriar argentinos presos ali. Da mesma forma, foi realizado um voo humanitário com o Fokker F28 TC-52 da Força Aérea Argentina, onde 54 pessoas retornaram de São Paulo, Brasil. A operação foi concluída graças ao trabalho conjunto do Ministério da Defesa, da Saúde e a Chancelaria Argentina, no âmbito do trabalho que está sendo realizado pelo Estado Nacional em face da pandemia de Covid-19.

Cabe ressaltar que, no território argentino, foram realizados voos com o Fokker F28, Saab 340 e C-130 para transferir materiais de biossegurança e proteção. Os Beechcraft AT-6 Texan II, Beechcraft Mentor, Cessna 182 e Piper Cherokee foram usados para transportar amostras de casos suspeitos de Covid-19. Além disso, estão em andamento missões de reconhecimento e transporte, levando suprimentos médicos e pessoal para cidades isoladas.

 

 

O Chile, por meio do Ministério de Relações Exteriores, conseguiu realizar voos de Sydney, Rio de Janeiro, Punta Cana e Miami, entre outros, com o objetivo de repatriar seus cidadãos ociosos em todo o mundo.

A Força Aérea realizou evacuações aeromédicas, destacando a de dois pacientes críticos de Rapa Nui, Ilha de Páscoa, que foram diagnosticados com pneumonia e necessitaram de um complexo sistema de isolamento e suporte avançado de vida, com monitoramento constante fornecido pela Equipe de Aeroevacuação Médica da Divisão de Saúde Institucional.

Uma aeronave DHC-6 Twin Otter da III Brigada Aérea FACH evacuou um homem que testou positivo para o Covid-19 de Chaitén, em uma operação na qual especialistas do SAMU também participaram, fornecendo suporte de vida ao paciente evacuar com segurança.

A FACH tem transportado vacinas contra influenza em várias partes do Chile, além de usar suas aeronaves para transportar cargas sanitárias, suprimentos hospitalares e equipamentos de apoio.

Em outra operação que levou 76 horas, o Boeing 767-300ER do Grupo FACH No. 10 voou para a China entre 28 de abril e 1º de maio, para trazer 117 ventiladores mecânicos para seu país.

No caso do Brasil, o apoio aéreo logístico é uma das muitas ações realizadas pelo Ministério da Defesa. O pessoal militar das Forças Armadas participa de campanhas de conscientização, vacinação e descontaminação em locais públicos. Da mesma forma, o Exército trabalha apoiando agências de saúde, estabelecendo estações de detecção, inspeção da entrada e saída de passageiros nas fronteiras, aeroportos e portos, além de inspeções navais em todo o território nacional.

A Força Aérea Brasileira (FAB) transferiu aeronaves de diferentes partes do país para as Bases Aéreas de Brasília, Galeão e Santa Cruz (as duas últimas no Rio de Janeiro), com o objetivo de promover a expansão da capacidade de resposta rápida para as demandas que o Ministério da Defesa solicita em ações logísticas para enfrentar o Coronavírus. No total, cinco C-95 Bandeirante, cinco C-98 Caravan e dois C-105 Amazonas foram ativados. Além disso, a mobilização também inclui aviões orgânicos de cada base, incluindo o C-130 Hercules, Embraer C-99 e C-97 Brasilia. Também foi disponibilizada para a operação uma aeronave VC-99, pertencente ao Grupo de Transporte Especial (GTE), adaptada para o transporte de quatro mil quilos de carga.

A operação COVID-19 é uma ação interministerial, coordenada pelo Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) no Centro de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa, em apoio ao Ministério da Saúde. Entre outras ações, um C-130 Hércules do Primeiro Esquadrão do Primeiro Grupo de Transporte (1º/1º GT) realizou o Transporte Aéreo Logístico de material de saúde e outros itens, da Ala 11, Galeão, no Rio de Janeiro, até a Ala 8, em Manaus, no Amazonas. Além disso, outro C-130 do 1º/1º GT apoiou o transporte de 9,6 toneladas de álcool gel e Equipamentos de Proteção Individual (EPI) de Guarulhos (SP) a Recife (PE).

Em 5 de fevereiro dois Embraer 190 VC-2 utilizados para o transporte presidencial foram enviados para Wuhan com equipe médica e de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear a bordo, trazendo 34 brasileiros.

Em 25 de março, dois C-130 também decolaram do Rio de Janeiro (RJ) e Belém (PA) em uma missão para resgatar cidadãos brasileiros que estavam na cidade de Cuzco, Peru, que foram impedidos de retornar ao Brasil devido ao fechamento de fronteiras.

 

 

Em 28 de fevereiro, a Colômbia repatriou 35 cidadãos presos em Wuhan, num voo que fez escala na Coréia do Sul e de lá conseguiu entrar na China. Além disso, um voo sob a coordenação do Ministério das Relações Exteriores e da Embaixada da Colômbia no Egito transferiu 59 colombianos que estavam no Cairo. No caso dos 150 colombianos presos no Peru, foi um voo comercial que os levou ao seu país.

Por sua vez, 50 colombianos que estavam na República Dominicana retornaram à Colômbia, em um esforço conjunto entre os dois governos, onde 20 dominicanos também puderam repatriar.

A Força Aérea da Colômbia também adaptou o Airbus C-295 para poder realizar transferências de até dois pacientes de áreas remotas de seu país. Duas cápsulas herméticas foram introduzidas no avião, que têm equipes de monitoramento, médicos e enfermeiros de aviação. Dessa forma, o paciente ingressa na cápsula já no hospital, sendo embarcado dessa maneira no avião para que este não tenha contato com a equipe. Até o momento, foram atendidos pacientes das cidades de Puerto Carreño e Letícia.

 

 

No caso do Peru, aproximadamente 400 cidadãos foram transferidos de voos dos Estados Unidos, Holanda e França. Por outro lado, um avião L-100-20 Hercules levou para as cidades de Chiclayo e Piura uma carga importante da Saúde da Previdência Social do Peru, que continha materiais de proteção individual, como máscaras, luvas, aventais e sapatos descartáveis. O Destacamento Aéreo de Tumbes continua a realizar um trabalho conjunto que contribui para impedir a expansão do Coronavírus, como o controle de voos militares que transportam pessoas e apoiam com materiais.

Além disso, durante o mês de abril, os peruanos detidos no Brasil foram repatriados. Até o momento, cerca de 6.600 dos 18.000 que haviam solicitado repatriamento no exterior chegaram a suas casas.

A Força Aérea do Paraguai transfere seus cidadãos, unindo as localidades necessárias. O Serviço Militar de Transporte Aéreo continua alcançando os pontos mais remotos da geografia nacional, cumprindo os atuais protocolos de saúde e adotando todas as medidas preventivas diante da situação de emergência sanitária. Atualmente, o itinerário normal é mantido, chegando às cidades de Concepción, Vallemi, Fuerte Olimpo e Bahía Negra.

Esse vírus tremendo fez com que, pela primeira vez na história da humanidade, todos estivéssemos juntos pela mesma causa. Infelizmente, é um evento negativo, embora tenha permitido a chegada de ajuda humanitária das forças armadas, médicos e enfermeiros que, com coragem e bravura, estão participando de um combate real que eles nunca pensaram que viria. Eles estão ganhando a guerra? Por enquanto, são apenas batalhas contra um inimigo que não é um país, um inimigo mortal que açoita toda a humanidade.